quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Poesias que gritam: Não ao GOLPE!

Olá, leitores queridos!
Compartilho com vocês meu novo livro "Não ao GOLPE", da coleção Poesias que Gritam.


sábado, 23 de abril de 2016

Entre o segredo e a chave


- Em um só livro há muitos segredos. Abrir um livro é como abrir uma porta para muitas outras portas. Todas elas bem lacradas com cadeados a proteger valiosos segredos. Para compreender um livro é preciso ter uma chave, ou várias. Talvez seja impossível que um só leitor tenha todas as chaves para abrir todos os cadeados e livrar o livro de todos os seus segredos. Porém, quando um segredo de um livro é revelado abre as portas para outros segredos, e assim por diante... Isso nunca tem fim, pois um só livro tem infinitos segredos.
- Professor, que segredos são esses que o senhor tanto diz conter em um livro?
- Responda você! Disse o professor de Literatura Marcos, lançando a pergunta a sua turma do primeiro ano do ensino médio: Quais são os segredos guardados em um livro? Quem saberia dizer?
- As palavras? – Arriscou o primeiro aluno a falar, Daniel.
- Uma história! – Disse Pedro achando-se mais esperto.
- Aventuras? – Sugeriu Adriano.
- Romances! – Arriscou Roberta.
- Há... O amor! – Suspirou a romântica Maria.
- A sabedoria? – Falou a pensativa Helena.
- Os problemas sociais! – Disse Ana, uma das alunas mais dedicada da turma.
- A corrupção humana! – Falou o sério da turma, Paulo.
Depois de algumas respostas, a turma respondeu em silêncio com seus pensamentos. Notando que ninguém mais arriscava falar, o professor entra em cena:
- Bem, como eu disse, um livro tem vários segredos. Quando pensamos em segredo logo imaginamos: algo “valioso”, “importante”, “significativo”, “revelador” entre outras coisas que nos remeta a grandeza, riqueza e oculto.  Podemos dizer que os segredos de um livro são os valores da condição humana: sentimentos, anseios e ações da humanidade. As respostas que alguns de vocês apontaram fazem sentido, afinal um livro é composto por palavras, signos e significados, que são trabalhadas pelo escritor ou poeta que ao escrever uma narrativa, um poema, ou um poema-narrativo revelam as peculiaridades da humanidade, como por exemplo: o heroísmo do índio Sepé Tiaraju, conhecido por seu enfrentamento às tropas portuguesas e espanhóis na Missão dos Sete Povos da Missão como lemos em Sepé-o morubixaba rebelde de Fernandes Barbosa; ou a trágica aventura da nordestina alagoana Macabéa na cidade do Rio de Janeiro como conta Clarice Lispector através de seu narrador personagem Rodrigo S.M. de A hora da Estrela; ou através de uma denúncia da condição miserável do homem no poema O bicho de Manuel Bandeira, entre muitas outras da imensa fortuna literária que temos à disposição.
- Professor, então qualquer pessoa pode ter acesso aos segredos de um livro?
- Vamos esclarecer uma coisa: para ter acesso aos segredos de um livro é preciso ter a chave...
- E quem tem essa chave professor?
- Eu poderia responder, mas prefiro que vocês respondam. Quem é que tem as chaves para desvendar os segredos de um livro? – Disse o professor direcionando a pergunta aos alunos que se sentiram cutucados.
- O professor! – Falou Paulo.
- O escritor! – Disse Ana.
- O poeta? – Questionou Pedro.
- O intelectual! – Afirmou Helena.
- O estudante? – Arriscou perguntar David.
Cada um tinha um palpite! Uns tinham mais convicção que outros em sua resposta, outros eram meio duvidosos e respondiam perguntando, e outros preferiam o silêncio como resposta.  Apresentadas algumas das possibilidades de respostas ficaram todos olhando o professor de Literatura que os fitavam pensativo até o momento da intervenção:
- Hum! Vejo que ninguém falou claramente a palavra leitor, mas todos vocês acertaram!
- Hum? Como assim professor? Perguntou uma voz curiosa e atrevida. Era Helena quem fazia o professor expor os argumentos de sua resposta:
- Todos vocês acertaram, porque todos esses indivíduos que vocês falaram “professor, escritor, poeta, intelectual, estudante”... Todos eles são leitores! Concordam comigo?
- Há sim professor! – Disse Ana.
- É verdade! – Afirmou Helena.
- Se é assim, professor, então qualquer um pode ter a chave? – Perguntou Paulo.
- Será? – Rebateu o professor.
- Qualquer pessoa pode ser leitor é só ler!
- Me diga uma coisa: é todo mundo que pode ter a chave de uma casa? Pensem na suas casas e me digam!
- Na minha casa só minha mãe, meu pai e minha irmã mais velha têm a chaves de casa. – Disse Helena.
- Hum! E você, não tem a chave? – Perguntou o professor.
- Não! Eu não tenho! – Falou Helena.
- Por que sua irmã tem a chave de sua casa e você não? – Perguntou o mestre.
- Há, por que ela é a mais velha, ela trabalha, ela faz faculdade... – Respondia Helena quando o professor interrompeu perguntando:
- O que ela tem diferente de você que a faz apta a ter a chave da casa?
- Eu já disse professor... – Helena insistia na mesma resposta...
- Quer que eu lhe diga por que sua irmã tem a chave e você não? Helena respondia com o silêncio, e o professor prossegue: - Porque ela demonstra: capacidade, confiança e responsabilidade. Seus pais permitiram que ela possuísse a chave da casa porque ela demonstra ser uma pessoa capaz e confiável. Por outro lado, ela ao ter posse dessa chave sente-se mais responsável.
- Hum! E o que isso tem haver com o livro? – Perguntou a moça.
- Calma, vou chegar lá! Como eu dizia, um livro tem muitos segredos e para descobrir os segredos de um livro é preciso ter a chave. E quem tem essa chave é o leitor, o que é um privilégio, vocês não acham? O leitor é um ser privilegiado, infelizmente nem todos são leitores... por diversos fatores. Para ser leitor é preciso demonstrar-se capaz de sê-lo. Por isso que é importante o trabalho de alfabetização e letramento. Só depois de aprender a, não apenas, decodificar os signos linguísticos, mas, também, interpretá-lo que o indivíduo adquire a confiança e capacidade para tornar-se um leitor. Uma vez sendo um leitor, ele é responsável pelo segredo descoberto, ou seja, o novo conhecimento. Cabe ao leitor guardar para si esse segredo ou compartilhá-lo com outros, como faz o escritor.
- Professor, o senhor não disse que chave é essa que o leitor tem e que revela os segredos de um livro.
Pensemos o seguinte: - De um lado temos o livro – disse mostrando a mão esquerda, e prosseguiu – do outro lado temos o leitor – disse mostrando a mão direita, e continuou – é preciso a chave. Sabemos que a chave está com o leitor. Então é preciso uma força intrínseca para aproximar os dois, formando uma espécie de pacto entre o livro e o leitor – disse juntando lentamente as mãos e entrelaçando os dedos. Mas afinal, que chave é essa? Vamos ler esse trecho do poema A procura da poesia de Carlos Drummond de Andrade – falou iniciando a leitura do poema:

“Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?”

- A força intrínseca capaz de unir o leitor e o livro, é a mesma da qual Drummond se refere no primeiro verso do trecho lido: “Chega mais perto e contempla as palavras”. O que significa isso?
- Que devemos ler professor?
- Isso! Muito bem Helena! Leitura: essa é a chave que irá aproximar o leitor e o livro, formando o pacto de leitura. No entanto, ler não significa apenas decodificar os signos linguísticos, mas sim interpretá-lo. É preciso penetrar no universo mágico das palavras e descobrir seus sentidos ocultos, seus segredos mais íntimos. Eu espero que não somente nesse ano letivo, mas durante toda a vida de vocês muitas portas se abram e muitos segredos sejam revelados para aqueles que têm a chave e façam bom uso dela. - Ditas essas palavras, o professor Marcos deu por encerrada àquela primeira aula de Literatura.

Macabéa e a lâmpada mágica

Macabéa estava no mundo da lua. Andava cheia de graça! Parecia lua cheia sorrindo para os enamorados. Há pouco tempo saia de uma consulta com Madame Carlota, uma cartomante que leu sua sorte enchendo-a da esperança de um namorado em um futuro feliz e não tão distante.
No entanto, Macabéa tinha o pensamento distante: na profecia que a deixava cheia de uma ingênua e esperançosa felicidade, tanto que já nem pensava na decepção que seu ex-namorado Olímpico de Jesus causara trocando-a por sua melhor amiga, Glória.
Cheia de graça, a retirante nordestina seguia seu destino a passos lentos e distraídos na calçada das ruas do Rio de Janeiro como quem flutuava em nuvens. Andava sem olhar para os lados. Estava bem próximo de atravessar a rua quando escorregou e caiu estatelada e em cheio, dando com a cara no chão. Por ser tão raquítica sentiu a pancada doer em todo o seu frágil corpinho. Tentava, com dificuldades, se equilibrar e levantar dali, quando avistou na calçada uma lâmpada envelhecida com aparência de antiguidade. Pensou ser algum cacareco velho que alguém se desfez. Continuou no chão, conformada. Pegou a lâmpada. Ficou olhando-a com carinho, lembrando-se de uma velha chaleira que pertencia a sua falecida tia quando moravam em Alagoas. Pobre mania de pobre, essa de sentir saudades de uma pobreza mais ou menos igual.
Admirando o objeto que parecia familiar, percebeu que estava empoeirada e começou a acaricia-la com uma lenta nostalgia. De repente a lâmpada começou a flutuar e dela saiu um raio de luz tão intenso que era quase impossível contemplá-lo a olho nu. Macabéa levantou-se do chão acompanhando a subida da lâmpada, e imaginou na hora que fosse uma estrela... Não é de estranhar que, com tamanha ingenuidade, Macabéa acreditasse que alguém pusera dentro da lâmpada uma estrela, mas logo a luz foi diminuindo e no meio da intensa claridade surgiu uma linda mulher.
A pobre moça ficou paralisada! Parecia estar diante de um fantasma! Quanto mais a mulher da lâmpada se aproximava dela, mais a luz se dissipava deixando apenas o brilho intenso do olhar e de sua beleza. Macabéa a fitava boquiaberta, com grande  admiração e espanto. Até que criou coragem e gaguejou algumas palavras:
- O que a senhora estava fazendo dentro dessa lâmpada, dona? – Perguntou à mulher misteriosa, que mesmo a fitando com pena por ela aparentar ser tão sem nada, que respondeu aliviada e grata pelo favor que a jovem fizera:
- Você me libertou de uma prisão de mais de trezentos anos, mocinha. Muito obrigada! Sou muitíssimo grata a você!
- A senhora estava dentro da lâmpada?
- Sim, estava!
- Como o gênio Aladim do livro que eu li uma vez quando era criança?
- Sim, como ele!
- Então é verdade que gênios existem!
- Como pode ver: sim!
- Mas eu achava que os gênios fossem homens e a senhora é uma mulher... Então existem gênias?
- Existe sim! E como existe! O problema é que muitas pessoas não gostam de dar o braço a torcer e admitir que conquistaram seus sonhos por causa de uma mulher... Você sabe dos três pedidos não?
- Três pedidos... Há os três pedidos! – Disse a moça recordando a história de Aladim.
- Sim, mocinha. A senhorita, por ter me libertado dessa prisão, terá direito a três pedidos. Um simbolizando cada século que fiquei aprisionada. Há, e a propósito, pode me chamar de Clarice.
- Tudo bem dona Clarice! A senhora é muito bonita parece uma artista de revista...
- Obrigada... – Percebendo que o nome da jovem era desconhecido para ela, indagou: - Hum... Você não me disse seu nome mocinha! Tá querendo continuar anônima é?
- Não dona Clarice! – Respondeu ela imaginando que ser anônima é algo pecaminoso, depois continuou: - Meu nome é Macabéa!
- Maca, o quê? – Perguntou com certo estranhamento.
- Béa...Por que será que todo mundo fica assim quando falo meu nome?
- Por que será hein?! Bem Macabéa, como dizia, você terá direito a fazer três pedidos... – Estava a explicar quando a pobre moça interrompeu demonstrando sua lerdeza de raciocínio:
- Eu vou poder fazer três pedidos?
- Pode, mas antes deixa eu te explicar como funciona: para cada pedido feito haverá um sacrifício que deverá ser cumprido por você. Caso se recuse a cumprir,  o pedido será desfeito e a senhorita perderá o direito aos outros pedidos. E se por ventura o sacrifício recusado ou ignorado refira-se ao último pedido, será tirada a sua vida e a de quem você ama.
- Haaaa... – murmurava a jovem com ar de espanto e muito confusa com a explicação, que para ela pareceu ser ciência -  E Clarice continuou:
- Há, mais uma coisa: uma vez feito o pedido não pode voltar atrás e fazer outro. Isso não será permitido em hipótese alguma! Por esse motivo sugiro que pense e repense muito bem antes de pedir algo, e só peça quando estiver certa de que aquele é um desejo que valerá a penas um sacrifício.
- Haaaaa.... Quer dizer que vou ter que fazer um sacrifício? – Perguntou a jovem assobrada, como se nunca houvesse feito sacrifício algum na sua sacrificada vida. O problema, coitada, é que ela nem se deu conta que a sua vida já nasceu sacrificada. Clarice continuou a explicação:
- Essas regras são novas, e foram criadas para que as pessoas dessem mais valor às coisas conquistadas, entende?
Macabéa não estava atenta ao que a gênia falava, novamente estava viajando no mundo da lua. Clarice, estalando os dedos em frente à face da jovem que parecia hipnotizada e distante dali, falou: - Acorda Macabéa! Tá na hora!
- Tá na hora de que dona Clarice? – Disse Macabéa assustada e eufórica, com a mão no coração.
- Calma! Está na hora de você fazer seu primeiro pedido. – Vendo que Macabéa respondia com espanto e silêncio, continuou: - Qual será seu primeiro pedido?
Naquele momento Macabéa sentiu-se pressionada a pedir algo, mas não sabia o quê... lembrou de seu ex-namorado Olímpico e tentava imaginar o que ele pediria... Então ela disse:
- Eu quero ser rica! – Disse Macabéa orgulhosa pelo pedido que fizera, imaginando que Olímpico ficaria admirado por sua esperteza.
- Realizarei seu pedido, mas para isso você terá que comprar um bilhete de loteria e com muita fé deverá apostar acreditando que irá ganhar. Entendeu?
- Sim, dona Clarice! Jogar na loteria com fé... – Dizia ela repetindo como quem quisesse gravar as palavras na memória para não serem esquecidas. Clarice confirma:
- Sim, com fé! Você sabe o que é fé, Macabéa?
- Sei sim dona Clarice! A minha tia me ensinou... “a fé é a certeza de coisas que se esperam e convicção de fatos que não se vê”.  – Dizia a moça com a mão no coração como se estivesse declamando uma oração.
- Exatamente! – Dizia Clarice compadecida daquela nordestina que parecia não ter nada, mas tinha fé embora não sabia bem em quê.
- Eu vou jogar dona Clarice! Vou jogar com muita fé!
- Muito bem! Depois que o primeiro pedido se realizar você volta a esfregar a lâmpada para fazer com que eu apareça novamente e você possa fazer seu segundo pedido, combinado?
- Combinado, dona Clarice. Muito combinado! – Disse Macabéa pensativa e séria.
À noite, diante da televisão, Macabéa ficou paralisada e perplexa ao ver que havia sido sorteado na loteria e que seria rica. Depois, passado alguns instantes, olhou para os lados para constatar que estava só e foi pegar a lâmpada mágica em sua escrivaninha. Agia como criança tímida e acanhada que acabara de fazer alguma travessura e que agora temia a bronca que receberia dos pais. Murmurava para si “Eu ganhei na loteria, eu ganhei na loteria”. Balbuciava essas palavras em seu pensamento como quem confessa um crime ou um pecado, ao invés de felicidade, sentia-se culpada pela sorte que tivera.  Lembrou-se do que sua tia sempre falava quando ela lhe pedia algum trocado para comprar doce: “o dinheiro é a raiz de todos os males”. Sentindo uma imensa necessidade de contar a alguém, como se precisasse se confessar para obter o perdão divino. Ela esfrega a lâmpada mágica fazendo Clarice aparecer novamente:
- Dona Clarice, dona Clarice... – dizia a jovem sussurrando como que temesse ser ouvida, e continuou – Eu ganhei na loteria! Bem que a senhora falou! Eu ganhei mesmo!
- É claro que você ganhou! Esse não foi seu desejo?
- Foi sim, dona Clarice!
- Então! Você pediu e eu realizei!
- Como a senhora fez isso?
- É segredo! Não vou contar!
- Tá bom! Tudo bem! Não precisa me contar nada dona Clarice...
- Qual é o seu segundo pedido?
- Meu segundo pedido?
- Sim, Macabéa! Seu segundo pedido! Já esqueceu que são três?
- Haaaa ... é mesmo, dona Clarice! É mesmo!
- Então?! Estou esperando?!
- Esperando o que?
- Esperando você fazer seu segundo pedido!
- Haaaaa.... – Dessa vez Macabéa pensou, pensou, e pensava tanto que até se esquecia sobre o que estava pensando. A moça levava a história mais a sério que antes, pois o primeiro pedido já havia se realizado. Clarice notando a dúvida da moça tentou ajudá-la:
- Pense Macabéa! O que você mais quer ganhar agora, exatamente nessa hora? É só você pedir...
Macabéa teve um impulso que a fez levantar da cadeira com um sorriso amarelo estampado em sua cara também amarelada: - Já sei o que vou pedir dona Clarice!
- Então peça!
- Eu quero um namorado!
-Hum... Realizarei seu pedido, Macabéa! – Ouvindo Clarice falar com tanta certeza, a moça deu um sorriso de orelha a orelha que logo se desfez com as palavras seguidas das que anunciaram a promessa: - Você terá um namorado, mas antes você precisará perdoar uma pessoa.
- Perdoar uma pessoa, mas quem? A ingenuidade de Macabéa não a deixava ver quem precisava de seu perdão, ou quem ela devia perdoar. Calada e pensativa, ouvia Clarice falar: - Não se preocupe. A pessoa que você terá que perdoar virá atrás de você, pedirá o seu perdão e você terá que a perdoar, entendeu?
- Sim, dona Clarice! Entendi! Eu vou perdoar essa pessoa sim! – Respondia Macabéa sem ao menos ter ideia de quem seria a pessoa e do que ela deveria ser perdoada.
- Ótimo! Infelizmente é assim mesmo que tem que ser!
Séria e sem compreender a última frase que a gênia disse, perguntou: - Não entendi! Infelizmente porque, dona Clarice?
- É difícil de explicar Macabéa... Há pessoas que não merecem ser perdoadas, mas temos que perdoá-las assim mesmo para termos paz de espírito, compreende?
- Sim, dona Clarice! Compreendo! Eu gosto de perdoar as pessoas! Minha tia dizia sempre que devemos perdoar uns aos outros como Jesus nos perdoou...
- Devemos, Macabéa! Devemos! Bom... Vou voltar para a lâmpada. Assim que o segundo pedido se realizar você me chama de novo.
- A senhora vai ficar na lâmpada?
- Sim! E para me chamar é só esfregar ela...
- É eu já aprendi como se faz, dona Clarice!
No dia seguinte todos já sabiam que Macabéa havia sido a ganhadora da loteria, e se tornado milionária inclusive Glória e Olímpico. Este, assim que soube da notícia conseguiu uns trocados emprestados e comprou um urso de pelúcia e um buquê de flores para dar a Macabéa. O rapaz saiu voando ao encontro da pobre moça rica, parecia não querer perder o avião que o conduziria à felicidade e ao mundo ao qual sempre ambicionara.
Macabéa estava recolhendo suas coisas do quarto em que morava, pois havia acabado de chegar do banco em que recebera seu dinheiro ganho na loteria. Ela estava acompanhada de Glória, que fizera plantão logo cedo na casa da moça assim que soube da sorte que a infeliz tivera. Foi ela quem aconselhou Macabéa a comprar um apartamento em Copacabana e mudar-se para lá. Estava ainda a orientar a moça quando escutaram umas batidas na porta. Macabéa foi ver quem a procurava. Estava feliz, pois não costumava receber visitas. Ao abrir a porta sentiu-se envergonhadamente feliz ao ver que era Olímpico que a procurava pedindo perdão e querendo reatar o namoro. Na hora, a jovem lembrou-se do que Clarice havia dito: “Você deve perdoar uma pessoa”, e assim ela o fez. Encarou Olímpico com seriedade e dramatizou as suas palavras de perdão: - Eu te perdoou, Olímpico!  
O rapaz ouvia aquelas palavras com os olhos arregalados e um sorriso estampado na face, estava tomado por sentimento misto de grandeza e felicidade. Olímpico quis ter certeza de que havia marcado o gol, perguntou: - Então estamos namorando de novo?
A ingenuidade falou por Macabéa: - Sim, Olímpico! Estamos namorando.
- Oi, Olímpico! Bom dia! Vem fazer alguma coisa que preste. Por que não nos ajuda a carregar as coisas... – Disse Glória, fazendo-se notada por Olímpico:
- Que coisas?
- Essas aqui nessa caixa! Disse apontando para a pequena caixa de papelão onde estava o rádio relógio e poucos objetos pessoais de Macabéa, pois ela não tinha muita coisa.
Olímpico, enchendo-se de heroísmo disse à namorada: - Macabéa, deixe que eu leve suas coisas! Você é uma dama e não pode pegar peso! Deixe isso comigo, que sou cabra macho! Aliás, a partir de hoje você não precisa se preocupar com mais nada, pois eu cuidarei de tudo. – Estava a falar quando foi interrompido por Glória: - Também cuidarei de você amiga, não deixarei que nenhum malandro a engane...- As palavras foram ditas acompanhadas com um olhar ameaçador direcionado para Olímpico, que a fitava com desconfiança. Enquanto isso, Macabéa ria terna e inocentemente.
Enquanto Olímpico e Glória cuidava da mudança de Macabéa, a moça lembrou-se da lâmpada mágica e foi contemplá-la em sua escrivaninha. Por sorte não havia ido junto com sua bagagem, talvez porque Glória não imaginasse que o objeto fosse de Macabéa. Ao esfregar a lâmpada viu novamente a aparição de Clarice, que lhe perguntou: - Está pronta para fazer o terceiro pedido?
A nordestina estava tão feliz que se sentia uma estrela, alguém que tem a atenção de outras pessoas, foi quando ela lembrou que seu grande sonho que era ser Marilyn Moroe... então ela ousou fazer o pedido:
- Dona Clarice, eu quero ser bonita como a Marilyn Moroe – Disse a moça com desconfiança e intenso brilho no olhar.
- Hum, entendo! - Disse Clarice – Não sei por que, mas sabia que me pediria isso desde a primeira vez que bati os olhos em você. Só não entendo que demorou tanto! – Clarice pensava e deduzira que Macabéa sempre chegava atrasada na vida, até para fazer o pedido atrasou seu maior sonho, por pouco não perdeu a hora. Voltando a si continuou: - Tudo bem. Realizarei seu pedido, mas o sacrifício será a metamorfose da borboleta...
- Como assim, dona Clarice? A senhora vai me transformar em uma borboleta? – Dizia a pobre moça com espanto e até uma pontinha de alegria, pois a ideia  não lhe parecia ruim, achava até bonita.
- Deixa-me explicar melhor: você terá seu pedido realizado, mas terá que se contentar em ser lagarta, no sentido figurado, ou seja, feia por mais seis dias. Passado esse tempo, e no sétimo dia, você será transformada na Marilyn Moroe – Para Macabéa aquilo parecia um sonho, ouvia tudo com espanto, alegria e admiração. Clarice continuou: – Você será tão bela quanto a Marilyn Moroe, porém, a sua beleza durará apenas um dia, no final desse dia você morrerá igual uma borboleta.
Macabéa parece não ter sido afetada pela última sentença que Clarice havia estabelecido para o cumprimento do desejo, não conseguia parar de pensar que ficaria linda igual a estrela de cinema que tanto admirava. Ao contrário, aquelas palavras soaram-lhe como a mais bela e doce poesia de cordel. Não é novidade que ela sempre sonhara ser uma Marilyn Moroe da vida. Agora, diante da possibilidade de sê-la sentia uma estranha e nova felicidade de realização que nunca conhecera em sua trágica vida. Era um sentimento novo, que não sentira com a realização dos dois primeiros pedidos. Clarice notando que a jovem estava no mundo da lua, novamente estala os dedos em frente à face da moça para fazê-la acordar para a realidade, e pergunta: - Você concorda com o que eu propus Macabéa?
- Concordo sim dona Clarice...
Clarice olhava aquela moça e sua doida ingenuidade, depois continuou: - Há, e só para finalizar, quando chegar a sua hora...
- Que hora, dona Clarice? – Perguntou a moça interrompendo.
- A hora de sua morte, Macabéa!
- Haaaaa.... Minha tia dizia que quando uma pessoa morre ela vira uma estrela lá no céu. – Disse ela com alegria e espanto, apontando o indicador direito para o céu.
- É provável! Bem, como dizia, assim que se passar o dia e chegar a hora de sua morte você me chamará pela última vez...
- Para quê, dona Clarice? Para eu fazer outro pedido?
- Não Macabéa, para que eu possa me despedir de você. Entendeu?
- Sim, dona Clarice! Eu entendi. Eu quero muito me despedir da senhora. A senhora é muito boa! – Disse Macabéa com um sorriso terno cheio de emoção, e com os olhinhos lacrimejando.  
- Até logo, Macabéa! – Disse Clarice, tentando manter-se firme para não lacrimejar piegas.
- Até, dona Clarice! Até!
Durante os seis dias que se passaram Macabéa continuou com seu cotidiano que já não era mais o mesmo. Olímpico estava satisfeito ao lado de Macabéa, principalmente porque ela não dizia não a nenhum de seus caprichos, ao contrário, quando Olímpico pedia algo ela dizia sim com um sorriso ingênuo de felicidade. Em pouco tempo Olímpico, graças à fortuna de Macabéa, só andava engravatado e com o cabelo cheio de gel. Conseguia transitar entre os políticos e já fazia planos para lançar sua candidatura como deputado estadual da Paraíba. Estava tão confiante que já havia feito o discurso de posse, e fazia questão de ensaiá-lo todos os dias diante da namorada, que sempre o aplaudia.  
Um dia, Macabéa sentiu um mal-estar e foi acompanhada por Glória ao médico. Aliás, Glória nos últimos dias se tornou mais que sua melhor amiga: sua irmã inseparável! Por ser mais esperta suspeitou de uma possível gravidez, deixando Macabéa fantasiada com a ideia de ter um bebezinho. Ela também aconselhou Macabéa a não contar para Olímpico, para fazer surpresa. No consultório, a moça foi atendida pelo mesmo médico que diagnosticou sua tuberculose dias atrás, e este disse que o mal estar era consequência da doença e não de gravidez, pois acreditava que Macabéa fosse estéril. Ao ouvir a suspeita do médico, disse a moça: Tudo bem, doutor! Não tem problema! – Pobre Macabéa, acreditou tanto na gravidez que até esquecera que ainda era virgem. – O médico solicitou alguns exames e dispensou as duas. Exames esses que não tinham importância, devido ao atrasado e eminente destino da jovem alagoana.
Às vezes Macabéa esquecia que era rica e almoçava cachorro-quente com coca-cola, mas quando estava na companhia de Olímpico e Glória eles a levavam aos melhores e mais caros restaurantes do Rio de Janeiro. Adoravam esbanjar e Macabéa achava tudo muito engraçado, e se emocionava à toa crendo que os dois eram muito bons com ela.
Os dias passaram rápido, e a cada dia Macabéa ria e se maravilhava com a presença de Olímpico e Glória, estava tão feliz que às vezes até gargalhava loucamente por horas como quem estivesse vivendo em um circo, como ela nunca estivera em um, talvez fosse daquele jeito que ela imaginava que fosse. Talvez a pobre estivesse enlouquecendo, mas não havia tempo para descobrir.
No sétimo dia, foi dito e certo! Quando se olhou no espelho Macabéa teve um baita susto. Ela estava linda, igual à Marilyn Moroe. Coitada! Ficou em choque e começou a gargalhar descontroladamente, e gargalhou ainda mais quando notou que a sua gargalhada era a mesma que antes, só que agora parecia que havia possuído o corpo da Marilyn Moroe. De fato: a mudança era externa. Por dentro Macabéa continuava igualzinha.
Diante do espelho não havia nem sinal dos “panos” que manchavam seu rosto, antes amarelado, agora alvo e sedoso. Não se cansava de pentear e alisar seus cabelos que mais pareciam fios de ouro. Estava a se olhar e se admirar quando teve uma ideia súbita: como nunca havia se olhado nua, teve vontade ou curiosidade em se ver naquele momento.
Ficou ensaiando por alguns momentos como tiraria a roupa. Sentia-se tomada por muito pudor, mas a curiosidade falava mais alto.  Decidiu que tiraria peça por peça: começando pela blusa, depois a saia, depois o sutiã e por último a calcinha. Cada parte que despia, era uma louca gargalhada.
Já totalmente despida, começou a acariciar seu corpo escultural dotado de uma beleza tão delicada e ousada, totalmente o inverso de si mesma. Ficou horas se admirando, explorando cada canto como quem explora o novo terreno conquistado. Por um momento aproximou-se do espelho e beijou os lábios de seu reflexo no espelho. Passou o dia inteiro à contemplação de si mesma. Quando veio a noite, deitou-se na cama e sentiu o toque de seus dedos mais ousados e na sua intimidade adormeceu.
Quando acordou, sentiu-se fraca. Estava terminando o seu dia de beleza! Lembrou-se de pegar a lâmpada ao lado de sua cama, e chamou Clarice: -! Dona Clarice! Tá vendo! Eu fiquei igual à Marilyn Moroe. – Disse a pobre moça dando com muito esforço a sua última gargalhada.
Clarice a olhava com compaixão e ternura e dizia: - Macabéa, sabemos bem que “as coisas acontecem antes de acontecer”...
- Como assim, dona Clarice? – Dizia Macabéa mais debilitada que de costume. Talvez fosse a chegada de sua hora.
Clarice volta a falar: - Essa história começou pelo fim. Talvez algum dia a comece pelo começo, ou talvez eu descubra que o começo nunca começou por que ele sempre esteve lá!
- Não entendo Dona Clarice!
- Sabe Macabéa, agora que estou livre quero recomeçar minha vida: ter uma casa, um lar... Talvez eu seja uma escritora!
- A senhora, dona Clarice?
- Sim, eu! E porque não?
- Eu nunca conheci uma escritora, mas já vi muitas moças bonitas como a senhora nas capas das revistas... Uma vez li um livro “Alice no país das maravilhas”, só que o escritor era um homem.
- Graças a você Macabéa agora estou livre! Livre para quem sabe ser uma escritora! Quanto ao seu destino, ele já estava traçado! A sua hora já havia chegado, e você chegou atrasada para os braços da morte.  Eu não pude salvá-la, pois você já havia morrido bem antes de morrer.
Ouvindo àquelas palavras Macabéa deu seus últimos suspiros pondo um fim ao melodrama que foi a sua vida: - Não tem problema, Dona Clarice! Valeu a pena!
- Não tem problema! – Disse Clarice vendo-a desfalecer com a mesma inocência com qual nascera. Despediu-se da jovem com um beijo na face, deixando-a morta em sua cama como uma bela adormecida. Pisando firme saiu dali pela porta da frente.

sábado, 5 de setembro de 2015

PESQUISANDO EM CACHOEIRA, por Ellen Oliveira


PESQUISANDO EM CACHOEIRA

Ellen Oliveira

Entre os dias 25 e 29 de Agosto, do ano corrente, estive em Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul, em busca de informações sobre o poeta Nilo Fernandes Barbosa (1910 – 1988). O objetivo da pesquisa era encontrar informações sobre o autor do poema épico “Sepé-o morubixaba rebelde (1964)”, para conclusão da minha pesquisa de mestrado intitulada "O herói Sepé em duas versões: "O Uraguai", de Basílio da Gama, e "Sepé - o morubixaba rebelde", de Fernandes Barbosa.

Poema Épico "Sepé - o morubixaba rebelde"  e autor Fernandes Barbosa

A viagem foi uma emoção do início ao fim. Chegando a Porto Alegre fui recebida na Rodoviária por Ana Maria Fernandes Barbosa Carlin, filha caçula do poeta Fernandes Barbosa, que me recebeu com carinho e me presenteou com livros de seu pai, recortes de jornais, poemas inéditos e até uma agenda com algumas quadras manuscritas. Que presente maravilhoso, hein!! Durante a viagem de Porto Alegre à Cachoeira do Sul já fui lendo “Súplica ao Negrinho do Pastoreio”, “Preto e Branco”, “Para aonde marcha o Brasil”, “Tradição Relambória”, e as versões originais datilografadas de “Carreirada” e “Esboço de uma época”.

Chegando à Cachoeira do Sul fui acolhida por Simone Fernandes Barbosa, filha de Danton Fernandes Barbosa e neta do poeta Fernandes Barbosa, e que preparou tudo para a minha chegada. Depois de passarmos mais ou menos um mês nos falando por Watssap e Facebook, finalmente nos conhecemos. Ela não só foi minha anfitriã, como foi também meu anjo da guarda.
(Eu com a Simone Fernandes Barbosa, neta e filha de criação do poeta)

Durante os dias 26, 27 e 28 visitei assiduamente o “Museu Municipal Edyr Lima” e o “Arquivo Histórico Municipal Carlos Salzano Vieira Melo”.  fui O carinho e a atenção com quais fui recebida nesses dois lugares contribuíram para o excelente maravilhoso desempenho da minha pesquisa. 
No museu me surpreendi com a quantidade de arquivos encontrados! Nele se encontram 12 obras do poeta, incluindo os originais de “Figurinhas do Bazar (1956)” e “Noite Feliz (1958)”, obras que só encontrei no museu. Para completar a coleção do poeta falta no Museu apenas os livros “Carreirada (1954)” e “Trovas ao vento (1986)”. No museu há uma antologia, organizada por Ana Rita Fernandes Barbosa, filha do poeta, com poemas publicados em livros e poemas inéditos, ao fazer a separação constatei que são, ao total, 78 poemas inéditos reunidos só nessa antologia e, ainda, três contos premiados em revistas (“A alma do pai tá de acordo?...”, “Crime e sentença”, e “Tirada de castelhano”). Deixando meu RG, como garantia, pude retirar a antologia do museu e fazer cópia. Que bacana! Também tive acesso há vários poemas manuscritos e inéditos, e outros tantos publicados em jornais. Fiquei encantada com os álbuns que encontrei no museu. Tinha um de fotografias do poeta, com fotos da infância, juventude, vida adulta e até da velhice do Fernandes Barbosa. Esse álbum foi organizado e doado pela filha Ana Rita. Além desse há outros álbuns, organizados pelo próprio poeta, com recortes de jornais, cartas e documentos de sua atuação política, e até poemas, contos e crônicas publicados em jornais, além de vários objetos pessoais como a caneta, o chapéu, os óculos, a gravata, o título de eleitor, e a placa da Secretaria de Educação e Cultura em reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo poeta na Biblioteca Municipal dr. João Minssen...


(No museu, pesquisando e segurando a caneta do poeta Fernandes Barbosa)

(com a caneta do poeta em mãos, no museu)


(Com as atenciosas funcionárias do Museu)

(Caneta do poeta Fernandes Barbosa)

(Placa de reconhecimento ao poeta Fernandes Barbosa)

(Doações que recebi do Museu )

Já no arquivo histórico encontrei todo o arquivo do “Jornal do Povo”, e "O Comércio". Devido ao curto tempo foquei nos anos de 1964 e 1965, pois o objetivo principal era encontrar artigos sobre a recepção crítica de “Sepé – o morubixaba rebelde (1964)”. Tive a graça de encontrar textos intitulados “Sepé – o morubixaba rebelde”, de Bras Camilo, “Carta ao poeta Fernandes Barbosa” de Faride Germano Machado, e entre outros artigos, e, encontrei também, um longo poema que, como vários outros do poeta, não foi publicado em livro “A noite que caiu sobre meu povo”, de Fernandes Barbosa.


(chegando ao Arquivo Histórico)

(No arquivo pesquisando no "Jornal do Povo")

(Registrando os arquivos)

(Eu com as historiadoras Ione Sammartim - sentada- e Mirian Ritzel)

(Eu e a atenciosa equipe do Arquivo Histórico)

(Eu com as atenciosas funcionárias do Arquivo Histórico)

Uns dos momentos mais felizes foram aqueles em que tive a alegria de conhecer a Ana Rita, a Ana Maria, a Simone e toda a família. Uns amores! Na quinta feira conheci a Ana Rita. Conversamos horas sobre seu pai e ela, emocionada, compartilhou comigo as lembranças que guardava dele. Na quinta feira o encontro foi alimentado com poesias, risos e pasteizinhos de nozes... Uma delícia! Conheci também sua filha, a Maria Inez Scharamm, neta do poeta. Conheci também as artes da Ana Rita...! Uma artista! Sua filha me mostrou várias telas lindas... Aliás, a família é cheia de artista, fiquei sabendo que a Ana Maria, a Simone, a Inez também pintam.  Em breve farei uma postagem só pra mostrar um pouquinho da arte da Família Fernandes Barbosa... Aguardem!

(Eu e Ana Rita, a filha mais velha do poeta Fernandes Barbosa)

(Self com Maria Inez, Ana Rita e eu)

(Inez, Ana Rita e eu)

(Ana Rita me mostrando arquivos, poemas e documentos de seu pai)

Na sexta, depois de passar a manhã no arquivo, encontrei novamente a Ana Rita e gravamos, conversamos, almoçamos juntas... ela declamou poemas do pai... e que boa memória ela tem!! Tive a graça de receber cópias de poemas inéditos..., ela falou-me da história de vários poemas do pai, como surgiram e o que o inspirou, além de “O Sepé – o morubixaba rebelde” conheci a história de vários... entre tantos, um comovente “O menino morto”, e  um que ele havia feito no guardanapo de um bar ao amigo Sérgio, que tive a alegria de encontrar no elevador quando eu e a Rita saíamos para almoçar. Que coincidência! Durante o almoço encontramos a Bety Carvalho, filha da Ana Rita, e ela me contou sobre a convivência com o avô, de como ele a ensinava a declamar poemas em público e das lembranças que guardava dele... e alguns outros arquivos que prometeu me mostrar mais tarde.

Depois do almoço voltamos à “Residência dos Moços” e o Sergio me recebeu em seu apartamento para falar sobre o amigo poeta,  e declamou o poema a ele dedicado “O Grampo discreto”... a história desse poema fica para outra postagem. Prometo! 


(Eu e o Sergio Tavares, amigo do poeta Fernandes Barbosa)

Ainda na sexta, a Ana Rita me acompanhou ao Museu e lá olhamos juntas o álbum fotográfico de seu pai e demais arquivos.  Que felicidade vê-la buscar na memória a lembrança e a explicação para cada foto, arquivo ou documento... Não demorou muito e a Simone Fernandes Barbosa com o seu esposo, o Nilton Martins, se juntou a nós e fomos  visitar a Bety Carvalho que, entre risos e prantos pela emoção ao falar do avô, mostrou-me o livro “Trovas ao vento”, que até a Ana Rita desconhecia e existência, a Bety tinha dois exemplares originais, um com correções manuscritas e outra versão final datilografada, pedi um a ela e ganhei a versão manuscrita. Ô coisa boa!! Ela também tem a versão original do livro “Carreirada”, e vários poemas e fotos do avô... Ela me mostrou seu álbum de lembranças de adolescente, que guarda cuidadosamente em uma caixinha com fotos e lembranças do avô. Nele o avô registrava dois de seus poemas “Confissão” e “As garças”... ela mostrando-me e lembrou emocionada da época em que ele a ensinava a declama-los na escola... A emoção tomou conta de todos! 

(Eu, Ana Rita e a Simone no Museu em Cachoeira do Sul)


(Eu, Ana Rita e o Nilton no Museu em Cachoeira do Sul)

(Bety mostranto as lembranças de seu avô, eu e sua mãe Ana Rita)

Quando deixamos sua casa fui conhecer a última casa onde morou o poeta e onde ele veio a falecer... Que linda!! 

(Casa onde Fernandes Barbosa vivei nos últimos anos de sua vida)

Depois fomos visitar o túmulo do poeta Fernandes Barbosa... Haja coração! 

(Lápide do túmulo de Nilo Fernandes Barbosa, sua esposa e seu filho Bernave)



No fim de tarde, fizemos um lanche...

Eu e a Ana Rita lanchando!!

E no final do dia tudo terminou em pizza... 

(Hummm! Delícia!)

(Eu e a Simone Fernandes Barbosa! Lindas e poderosas!)

No sábado pela manhã passei em companhia de Simone e Jane.

Jane, eu e Simone! 

(EU e Jane, em sua casa linda e aconchegante)


(Na casa de Jane)


Enquanto experimentava o chimarrão que, para quem não conhece, é bem como disse o poeta Fernandes Barbosa,

Chimarrão de erva encilhada,
Prove e veja se não tem,
Sabor de china sovada
Pelos arreios de alguém!
(FERNANDES BARBOSA, 1986, LI)


Eu experimentando chimarrão pela primeira vez! Quente e forte!

Fiquei feliz quando a Simone me mostrou os objetos pessoais que guarda como recordações do avô, como a placa de advogado, o criado mudo com um cachorro de enfeite, a cadeira feita pelas mãos do poeta e onde está grafada as suas iniciais, fotos do poeta com a esposa Marina, e obras do avô. 


Fernandes Barbosa não era formado em direito, era um rábula. 
Essa é a placa que ficava na parede de sua casa


(Cadeira e placa do poeta Fernandes Barbosa)


(Iniciais de Fernandes Barbosa, feitas pelo próprio poeta)



(Criado mudo do poeta Nilo Fernandes Barbosa)


(Fotos e objetos pessoais do poeta, livros que ele presenteou a sua esposa e que agora me pertencem)

(Lindo! Um dia convenço a Simone Fernandes Barbosa a me dar ele de presente, rs)

Ela me mostrou também dois livrinhos: “Poemas de amor”, de Menotti Del Picchia, e “Colheita de Frutos”, de Rabindranath Tagore. Estes livros foram presentes de seu avô, o Poeta Fernandes Barbosa, para sua avó, a amada dele. Os livros contem dedicatórias românticas e a assinatura do poeta. Não perdi tempo e pedi os dois livrinhos de presente, e os ganhei!!! Que felicidade!!! Além de conhecimento, cultura e amizades, ganhei muitos mimos e presentes. 


(De todos esses foram os melhores presentes - da Ana Maria, Ana Rita, Simone e Bety)

(Exemplares do Jornal do Povo, onde minha pesquisa foi divulgada)


(Matéria publicada no Jornal do Povo - Jornal onde o poeta contribuiu por 40 anos e onde há muito de sua trajetória literária! Que honra, que felicidade e que presente!)

(Quadros pintados pela Ana Rita Fernandes Barbosa)

(Arte da Ana Rita Fernandes Barbosa)
(Linda carteira que ganhei da Ana Maria)


(Lindo anel que ganhei da Jane. Como não tive anel de formatura, receber esse inesperadamente foi uma emoção)


(Bolsa produzida por professoras na escola em que a Simone trabalha)


(A blusa que usei pra ir ver o túmulo do poeta foi presente da Simone)


(Ganhei da Jane e vou usar na defesa da dissertação... Lindo!)


(Fiquei linda e poderosa nesse vestido que a Jane me deu)


(Lindos acessórios da Simone Fernandes Barbosa que ele me deu como lembrança)


(Fiquei linda nessa blusa que a Jane me deu)


(Sentindo-me poderosa! A blusa também foi presente da Jane)


(Um charme essa blusa! A Jane tem bom gosto!)


(Outra lindeza que a Jane me deu)

Como podem notar, mesmo tão envolvida com a pesquisa, ainda me sobrou um “tiquito” de tempo para fazer amizades e navegar nas ruas dessa linda “Cachoeira do Sul”, acompanhada de Simone Fernandes Barbosa, seu esposo Nilton Martins, e a comadre Jane Silva. Ratificando o que disse no início, a minha visita à Cachoeira foi uma emoção do início ao fim, e, contando com a torcida de amigos que conquistei na viagem, já estou programando o retorno à terra do poeta Fernandes Barbosa, a linda e acolhedora Cachoeira do Sul. Que da próxima vez seja mais prolongada! Amém!

Confiram mais fotos...




(Eu e Simone)


(Eu e Jane)




(Na rua da casa de Simone e Jane)


(Eu e um gaúcho durante um ensaio para uma apresentação cultural) 


(De passagem pelo Jornal do Povo)


(Hora do descanso...)


(Hora do descanso?...)


(Jane, Nilton e Simone se despedindo de mim na Rodoviária de Cachoeira do Sul)


(Foto de Cachoeira do Sul)

Para expressar minhas saudades a todos que conviveram comigo e com quais firmei laços de amizade, finalizo com estes versos do poeta Fernandes Barbosa...
Saudade

Se algum dia
Alguém me perguntasse:
– Que é saudade? –
Responderia
Com convicção:

Dor que se chora de olhos enxutos,
Rolando as lágrimas para o coração.

(Fernandes Barbosa. In. Minhas Flores de Jacarandá, 1944)


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