sábado, 5 de setembro de 2015

PESQUISANDO EM CACHOEIRA, por Ellen Oliveira


PESQUISANDO EM CACHOEIRA

Ellen Oliveira

Entre os dias 25 e 29 de Agosto, do ano corrente, estive em Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul, em busca de informações sobre o poeta Nilo Fernandes Barbosa (1910 – 1988). O objetivo da pesquisa era encontrar informações sobre o autor do poema épico “Sepé-o morubixaba rebelde (1964)”, para conclusão da minha pesquisa de mestrado intitulada "O herói Sepé em duas versões: "O Uraguai", de Basílio da Gama, e "Sepé - o morubixaba rebelde", de Fernandes Barbosa.

Poema Épico "Sepé - o morubixaba rebelde"  e autor Fernandes Barbosa

A viagem foi uma emoção do início ao fim. Chegando a Porto Alegre fui recebida na Rodoviária por Ana Maria Fernandes Barbosa Carlin, filha caçula do poeta Fernandes Barbosa, que me recebeu com carinho e me presenteou com livros de seu pai, recortes de jornais, poemas inéditos e até uma agenda com algumas quadras manuscritas. Que presente maravilhoso, hein!! Durante a viagem de Porto Alegre à Cachoeira do Sul já fui lendo “Súplica ao Negrinho do Pastoreio”, “Preto e Branco”, “Para aonde marcha o Brasil”, “Tradição Relambória”, e as versões originais datilografadas de “Carreirada” e “Esboço de uma época”.

Chegando à Cachoeira do Sul fui acolhida por Simone Fernandes Barbosa, filha de Danton Fernandes Barbosa e neta do poeta Fernandes Barbosa, e que preparou tudo para a minha chegada. Depois de passarmos mais ou menos um mês nos falando por Watssap e Facebook, finalmente nos conhecemos. Ela não só foi minha anfitriã, como foi também meu anjo da guarda.
(Eu com a Simone Fernandes Barbosa, neta e filha de criação do poeta)

Durante os dias 26, 27 e 28 visitei assiduamente o “Museu Municipal Edyr Lima” e o “Arquivo Histórico Municipal Carlos Salzano Vieira Melo”.  fui O carinho e a atenção com quais fui recebida nesses dois lugares contribuíram para o excelente maravilhoso desempenho da minha pesquisa. 
No museu me surpreendi com a quantidade de arquivos encontrados! Nele se encontram 12 obras do poeta, incluindo os originais de “Figurinhas do Bazar (1956)” e “Noite Feliz (1958)”, obras que só encontrei no museu. Para completar a coleção do poeta falta no Museu apenas os livros “Carreirada (1954)” e “Trovas ao vento (1986)”. No museu há uma antologia, organizada por Ana Rita Fernandes Barbosa, filha do poeta, com poemas publicados em livros e poemas inéditos, ao fazer a separação constatei que são, ao total, 78 poemas inéditos reunidos só nessa antologia e, ainda, três contos premiados em revistas (“A alma do pai tá de acordo?...”, “Crime e sentença”, e “Tirada de castelhano”). Deixando meu RG, como garantia, pude retirar a antologia do museu e fazer cópia. Que bacana! Também tive acesso há vários poemas manuscritos e inéditos, e outros tantos publicados em jornais. Fiquei encantada com os álbuns que encontrei no museu. Tinha um de fotografias do poeta, com fotos da infância, juventude, vida adulta e até da velhice do Fernandes Barbosa. Esse álbum foi organizado e doado pela filha Ana Rita. Além desse há outros álbuns, organizados pelo próprio poeta, com recortes de jornais, cartas e documentos de sua atuação política, e até poemas, contos e crônicas publicados em jornais, além de vários objetos pessoais como a caneta, o chapéu, os óculos, a gravata, o título de eleitor, e a placa da Secretaria de Educação e Cultura em reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo poeta na Biblioteca Municipal dr. João Minssen...


(No museu, pesquisando e segurando a caneta do poeta Fernandes Barbosa)

(com a caneta do poeta em mãos, no museu)


(Com as atenciosas funcionárias do Museu)

(Caneta do poeta Fernandes Barbosa)

(Placa de reconhecimento ao poeta Fernandes Barbosa)

(Doações que recebi do Museu )

Já no arquivo histórico encontrei todo o arquivo do “Jornal do Povo”, e "O Comércio". Devido ao curto tempo foquei nos anos de 1964 e 1965, pois o objetivo principal era encontrar artigos sobre a recepção crítica de “Sepé – o morubixaba rebelde (1964)”. Tive a graça de encontrar textos intitulados “Sepé – o morubixaba rebelde”, de Bras Camilo, “Carta ao poeta Fernandes Barbosa” de Faride Germano Machado, e entre outros artigos, e, encontrei também, um longo poema que, como vários outros do poeta, não foi publicado em livro “A noite que caiu sobre meu povo”, de Fernandes Barbosa.


(chegando ao Arquivo Histórico)

(No arquivo pesquisando no "Jornal do Povo")

(Registrando os arquivos)

(Eu com as historiadoras Ione Sammartim - sentada- e Mirian Ritzel)

(Eu e a atenciosa equipe do Arquivo Histórico)

(Eu com as atenciosas funcionárias do Arquivo Histórico)

Uns dos momentos mais felizes foram aqueles em que tive a alegria de conhecer a Ana Rita, a Ana Maria, a Simone e toda a família. Uns amores! Na quinta feira conheci a Ana Rita. Conversamos horas sobre seu pai e ela, emocionada, compartilhou comigo as lembranças que guardava dele. Na quinta feira o encontro foi alimentado com poesias, risos e pasteizinhos de nozes... Uma delícia! Conheci também sua filha, a Maria Inez Scharamm, neta do poeta. Conheci também as artes da Ana Rita...! Uma artista! Sua filha me mostrou várias telas lindas... Aliás, a família é cheia de artista, fiquei sabendo que a Ana Maria, a Simone, a Inez também pintam.  Em breve farei uma postagem só pra mostrar um pouquinho da arte da Família Fernandes Barbosa... Aguardem!

(Eu e Ana Rita, a filha mais velha do poeta Fernandes Barbosa)

(Self com Maria Inez, Ana Rita e eu)

(Inez, Ana Rita e eu)

(Ana Rita me mostrando arquivos, poemas e documentos de seu pai)

Na sexta, depois de passar a manhã no arquivo, encontrei novamente a Ana Rita e gravamos, conversamos, almoçamos juntas... ela declamou poemas do pai... e que boa memória ela tem!! Tive a graça de receber cópias de poemas inéditos..., ela falou-me da história de vários poemas do pai, como surgiram e o que o inspirou, além de “O Sepé – o morubixaba rebelde” conheci a história de vários... entre tantos, um comovente “O menino morto”, e  um que ele havia feito no guardanapo de um bar ao amigo Sérgio, que tive a alegria de encontrar no elevador quando eu e a Rita saíamos para almoçar. Que coincidência! Durante o almoço encontramos a Bety Carvalho, filha da Ana Rita, e ela me contou sobre a convivência com o avô, de como ele a ensinava a declamar poemas em público e das lembranças que guardava dele... e alguns outros arquivos que prometeu me mostrar mais tarde.

Depois do almoço voltamos à “Residência dos Moços” e o Sergio me recebeu em seu apartamento para falar sobre o amigo poeta,  e declamou o poema a ele dedicado “O Grampo discreto”... a história desse poema fica para outra postagem. Prometo! 


(Eu e o Sergio Tavares, amigo do poeta Fernandes Barbosa)

Ainda na sexta, a Ana Rita me acompanhou ao Museu e lá olhamos juntas o álbum fotográfico de seu pai e demais arquivos.  Que felicidade vê-la buscar na memória a lembrança e a explicação para cada foto, arquivo ou documento... Não demorou muito e a Simone Fernandes Barbosa com o seu esposo, o Nilton Martins, se juntou a nós e fomos  visitar a Bety Carvalho que, entre risos e prantos pela emoção ao falar do avô, mostrou-me o livro “Trovas ao vento”, que até a Ana Rita desconhecia e existência, a Bety tinha dois exemplares originais, um com correções manuscritas e outra versão final datilografada, pedi um a ela e ganhei a versão manuscrita. Ô coisa boa!! Ela também tem a versão original do livro “Carreirada”, e vários poemas e fotos do avô... Ela me mostrou seu álbum de lembranças de adolescente, que guarda cuidadosamente em uma caixinha com fotos e lembranças do avô. Nele o avô registrava dois de seus poemas “Confissão” e “As garças”... ela mostrando-me e lembrou emocionada da época em que ele a ensinava a declama-los na escola... A emoção tomou conta de todos! 

(Eu, Ana Rita e a Simone no Museu em Cachoeira do Sul)


(Eu, Ana Rita e o Nilton no Museu em Cachoeira do Sul)

(Bety mostranto as lembranças de seu avô, eu e sua mãe Ana Rita)

Quando deixamos sua casa fui conhecer a última casa onde morou o poeta e onde ele veio a falecer... Que linda!! 

(Casa onde Fernandes Barbosa vivei nos últimos anos de sua vida)

Depois fomos visitar o túmulo do poeta Fernandes Barbosa... Haja coração! 

(Lápide do túmulo de Nilo Fernandes Barbosa, sua esposa e seu filho Bernave)



No fim de tarde, fizemos um lanche...

Eu e a Ana Rita lanchando!!

E no final do dia tudo terminou em pizza... 

(Hummm! Delícia!)

(Eu e a Simone Fernandes Barbosa! Lindas e poderosas!)

No sábado pela manhã passei em companhia de Simone e Jane.

Jane, eu e Simone! 

(EU e Jane, em sua casa linda e aconchegante)


(Na casa de Jane)


Enquanto experimentava o chimarrão que, para quem não conhece, é bem como disse o poeta Fernandes Barbosa,

Chimarrão de erva encilhada,
Prove e veja se não tem,
Sabor de china sovada
Pelos arreios de alguém!
(FERNANDES BARBOSA, 1986, LI)


Eu experimentando chimarrão pela primeira vez! Quente e forte!

Fiquei feliz quando a Simone me mostrou os objetos pessoais que guarda como recordações do avô, como a placa de advogado, o criado mudo com um cachorro de enfeite, a cadeira feita pelas mãos do poeta e onde está grafada as suas iniciais, fotos do poeta com a esposa Marina, e obras do avô. 


Fernandes Barbosa não era formado em direito, era um rábula. 
Essa é a placa que ficava na parede de sua casa


(Cadeira e placa do poeta Fernandes Barbosa)


(Iniciais de Fernandes Barbosa, feitas pelo próprio poeta)



(Criado mudo do poeta Nilo Fernandes Barbosa)


(Fotos e objetos pessoais do poeta, livros que ele presenteou a sua esposa e que agora me pertencem)

(Lindo! Um dia convenço a Simone Fernandes Barbosa a me dar ele de presente, rs)

Ela me mostrou também dois livrinhos: “Poemas de amor”, de Menotti Del Picchia, e “Colheita de Frutos”, de Rabindranath Tagore. Estes livros foram presentes de seu avô, o Poeta Fernandes Barbosa, para sua avó, a amada dele. Os livros contem dedicatórias românticas e a assinatura do poeta. Não perdi tempo e pedi os dois livrinhos de presente, e os ganhei!!! Que felicidade!!! Além de conhecimento, cultura e amizades, ganhei muitos mimos e presentes. 


(De todos esses foram os melhores presentes - da Ana Maria, Ana Rita, Simone e Bety)

(Exemplares do Jornal do Povo, onde minha pesquisa foi divulgada)


(Matéria publicada no Jornal do Povo - Jornal onde o poeta contribuiu por 40 anos e onde há muito de sua trajetória literária! Que honra, que felicidade e que presente!)

(Quadros pintados pela Ana Rita Fernandes Barbosa)

(Arte da Ana Rita Fernandes Barbosa)
(Linda carteira que ganhei da Ana Maria)


(Lindo anel que ganhei da Jane. Como não tive anel de formatura, receber esse inesperadamente foi uma emoção)


(Bolsa produzida por professoras na escola em que a Simone trabalha)


(A blusa que usei pra ir ver o túmulo do poeta foi presente da Simone)


(Ganhei da Jane e vou usar na defesa da dissertação... Lindo!)


(Fiquei linda e poderosa nesse vestido que a Jane me deu)


(Lindos acessórios da Simone Fernandes Barbosa que ele me deu como lembrança)


(Fiquei linda nessa blusa que a Jane me deu)


(Sentindo-me poderosa! A blusa também foi presente da Jane)


(Um charme essa blusa! A Jane tem bom gosto!)


(Outra lindeza que a Jane me deu)

Como podem notar, mesmo tão envolvida com a pesquisa, ainda me sobrou um “tiquito” de tempo para fazer amizades e navegar nas ruas dessa linda “Cachoeira do Sul”, acompanhada de Simone Fernandes Barbosa, seu esposo Nilton Martins, e a comadre Jane Silva. Ratificando o que disse no início, a minha visita à Cachoeira foi uma emoção do início ao fim, e, contando com a torcida de amigos que conquistei na viagem, já estou programando o retorno à terra do poeta Fernandes Barbosa, a linda e acolhedora Cachoeira do Sul. Que da próxima vez seja mais prolongada! Amém!

Confiram mais fotos...




(Eu e Simone)


(Eu e Jane)




(Na rua da casa de Simone e Jane)


(Eu e um gaúcho durante um ensaio para uma apresentação cultural) 


(De passagem pelo Jornal do Povo)


(Hora do descanso...)


(Hora do descanso?...)


(Jane, Nilton e Simone se despedindo de mim na Rodoviária de Cachoeira do Sul)


(Foto de Cachoeira do Sul)

Para expressar minhas saudades a todos que conviveram comigo e com quais firmei laços de amizade, finalizo com estes versos do poeta Fernandes Barbosa...
Saudade

Se algum dia
Alguém me perguntasse:
– Que é saudade? –
Responderia
Com convicção:

Dor que se chora de olhos enxutos,
Rolando as lágrimas para o coração.

(Fernandes Barbosa. In. Minhas Flores de Jacarandá, 1944)


2 comentários:

  1. Que bom saber de tudo isso,Ellen! Que as mesmas bençãos que te acompanharam aqui,estejam sempre contigo! bjo

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  2. Ellen, foi muito bom te conhecer e saber que um poeta local, com tiradas bem regionalistas e muito talento, chamou a atenção de uma sergipana e, mais ainda, levou-a a interessar-se por um mito da história gaúcha. Volta logo!

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